segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Workshops em análise de dados em SPSS

As workshops em análise de dados em SPSS, organizadas pelo Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho, pretendem contribuir para a difusão da utilização do software estatístico SPSS junto da população académica e profissional.

A necessidade, cada vez mais premente, de um instrumento que auxilie o tratamento e a análise de dados quantitativos, recolhidos através de questionários, no âmbito das Ciências Sociais e não só, motivou o Centro de Investigação em Ciências Sociais a organizar uma série de workshops dedicadas a áreas específicas da análise de dados.

As primeiras workshops, organizadas neste ano lectivo 2008/2009, irão decorrer nos dias 6 e 13 de Dezembro (Workshop I) e 10 e 17 de Janeiro (Workshop II), no Laboratório de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, nos seguintes horários: das 9h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00.

INSCRIÇÕES:
Enviar a ficha de inscrição para sofiaoliveira@ics.uminho.pt, colocando no assunto “workshop SPSS”. Posteriormente validar a inscrição, mediante pagamento. O pagamento pode ser efectuado em numerário (se for presencialmente) ou cheque (se enviado pelo correio). Neste ultimo caso, deve enviar cópia da ficha de inscrição e um cheque endossado à Universidade do Minho para a seguinte morada:
Universidade do Minho- ICS
Att. Sofia Oliveira
Campus de Gualtar
4710-057 Braga


Workshop I: Introdução ao SPSS e Análise Univariada em SPSS
Conteúdo: O ambiente de trabalho em SPSS. A estrutura do ficheiro de dados. A importação de dados. A codificação das variáveis. As variáveis de resposta múltipla. O cálculo de variáveis compósitas. A recodificação de variáveis. A construção de filtros. A segmentação do ficheiro de dados. As tabelas de frequências. As representações gráficas. Análise exploratória de dados quantitativos e qualitativos. A criação de variáveis estandardizadas. Interpretação dos resultados.

Datas: 6 e 13 de Dezembro (sábados)
Horário: das 9h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00 (14 horas)
Nº participantes: 12 (mínimo) a 16 (máximo)
Custo: 125 euros (85 euros para docentes e alunos de graduação e pós-graduação da Universidade do Minho)
Pré-requisitos: Conhecimentos básicos de estatística
Validação das Inscrições, mediante pagamento, até ao dia 3 de Dezembro de 2008


Workshop II: Análise Bivariada e Comparação de Médias em SPSS
Conteúdo: A estatística inferencial. Os testes de hipóteses. Os intervalos de confiança. Os testes paramétricos e não paramétricos. A verificação da normalidade. O cruzamento de variáveis. A estatística do Qui-Quadrado. Algumas estatísticas baseadas no Qui-Quadrado. Os coeficientes de correlação: paramétrico e não paramétrico. Os testes paramétricos t para amostras isoladas, para amostras independentes e para amostras emparelhadas. Os testes não paramétricos de Mann-Whitney e de Wilcoxon. Interpretação dos resultados.

Datas: 10 e 17 de Janeiro (sábados)
Horário: das 9h30 às 13h00 e das 14h30 às 18h00 (14 horas)
Nº participantes: 12 (mínimo) a 16 (máximo)
Custo: 125 euros (85 euros para docentes e alunos de graduação e pós-graduação da Universidade do Minho)
Pré-requisitos: Conhecimentos ao nível do conteúdo da Workshop I
Validação Inscrições, mediante pagamento, até ao dia 19 de Dezembro de 2008


Serão realizadas outras workshops relativas a métodos de análise de dados mais específicos, em datas e horário a estabelecer, durante o 1º semestre de 2009, desde que seja possível constituir um grupo mínimo de 12 participantes.
Workshops (em SPSS):
  • Análise de Variância Univariada
  • Análise de Variância Multivariada
  • Análise de Variância com Medidas Repetidas
  • Análise de Regressão Linear Múltipla
  • Análise de Regressão Logística
  • Análise de Clusters
  • Análise Discriminante
  • Análise Factorial
  • Análise de Sobrevivências

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

UM fecha duas semanas para poupar na despesa

A Reitoria da Universidade do Minho decidiu «encerrar o maior número de instalações», no período de 21 de Dezembro a 4 de Janeiro, de forma a conseguir uma redução nos custos de funcionamento da instituição.
A medida foi anunciada internamente pelo reitor Guimarães Rodrigues, através de um comunicado, em que explica que se pretende «uma poupança considerável, indispensável para o pagamento integral do subsídio de Natal e a assegurar ainda saldos a distribuir pelas Escolas».

terça-feira, 11 de novembro de 2008

X Congresso Luso-Afro-Brasileiro



Bem-vindo(a) ao X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais!Tendo como pano de fundo a diversidade e a complexidade de realidades sociais em sociedades geográfica, histórica e sociologicamente diferenciadas como as lusófonas – e desiguais entre si e no seu próprio seio a nível territorial, económico, político e cultural –, o desafio que se coloca aos participantes neste X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais será o de, com base em resultados de estudos empíricos e reflexões teóricas, nos mais diversos espaços e modalidades, contribuir para problematizar, analisar e aprofundar o conhecimento dessas realidades na actual época de globalização, confrontar as diversas mundividências e paradigmas teóricos em presença.


O Congresso foi prolongado por mais um dia! Decorre de 10 a 13 de Dezembro


Para permitir a máxima participação de Congressistas, o Congresso foi adiado para 4 a 7 de Fevereiro de 2009 por razões imperativas:
i) o Congresso organizado pelo Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciências Sociais na Àfrica (CODESRIA), a realizar-se nos Camarões de 7 a 11 de Dezembro;
ii) alteração/dilatação do período escolar (avaliação de final de ano lectivo) sobretudo nos PALOP.
A Comissão Organizadora


Envio do texto final da Comunicação até 30 de Novembro.
O ficheiro com o texto da Comunicação deve ser enviado por aqui ->Só se aceitam textos correctamente formatados, segundo as normas do Congresso.

Os Congressistas devem preencher o formulário de inscrição no Congresso ->


O Cronograma já se encontra disponível ->
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Outras datas importantes:

Até 15 de Junho: Proposta de constituição de Grupos de Trabalho

A partir de 02 de Outubro: Comunicação da avaliação dos resumos

Até 30 de Novembro: Entrega definitiva do texto da comunicação

Até 30 de Dezembro: Resumos/textos on line

Até 15 de Janeiro: Inscrição comprovada

UM quer fechar no período de Natal para poupar verbas e pagar subsídio de Natal

A Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) quer fechar a instituição, de 22 a 27 de Dezembro, "para poupar em energia o valor necessário para o pagamento do subsídio de Natal aos docentes e funcionários", revelou hoje fonte do organismo.

O presidente da AAUM, Pedro Soares, adiantou que a proposta, aprovada em Reunião Geral de Alunos, "visa conseguir verbas, através de poupança de luz, para os 20 por cento que faltam à Universidade para pagar os subsídios de Natal".

O dirigente associativo, que falava em conferência de imprensa, criticou o Governo por fazer "aumentos progressivos dos encargos das instituições - caso da contribuição para a Caixa Geral de Aposentações, que passou de 7.5% em 2007 para 11% em 2008 - ao mesmo tempo que faz pequenos aumentos percentuais para as universidades que se traduzem em reduções significativas de verbas".

"Agora, também para 2009, o aumento dos vencimentos da função pública foi fixado em 2.9% - enquanto que as instituições universitárias recebem aumentos percentuais de financiamento que, em termos líquidos, significam reduções significativas nos orçamentos disponíveis", sublinhou.

Para os estudantes minhotos, "aquilo que se discute, neste momento na Assembleia da República relativamente ao financiamento do Ensino Superior, é uma proposta de orçamento insuficiente, injusta, de má distribuição de recursos e que assenta em critérios que fragilizam as instituições".
"Assistimos a uma ingerência abusiva na autonomia das universidades, desincentivando o desempenho e criando distorções inaceitáveis no sistema", acusa o dirigente estudantil.

Para a AAUM, o Governo, ao reservar 44 milhões de euros para "acções de recuperação institucional, que irá utilizar de forma discricionária e casuística, está a desrespeitar princípios universais de boa gestão e de responsabilização e não premeia a competência das instituições".

LM.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Jantar de curso (Desde o 1º ano da Licenciatura ao 2º de mestrado! Vamos juntar gerações!)

Os noviços de sociologia têm o enorme prazer de convidar vossas excelências a participar num ilustre jantar de curso. Onde não faltará a influência da substância mágica...o álcool... Ao que tudo indica esta cerimonia decorrerá Quarta feira (12) no santuário do Colombo, a menos que não haja espaço para tão ilustres personagens. Começar-se-á a servir o jantar por volta das 21h00. Terá fim, esta nobre bebedeira, no Glamour.

Agradeço confirmação até segunda feira ao final do dia.


Contactos:
Raquel (Nicolá) – 918679745 ou raqelferreira@hotmail.com
Irene – 916829991 – Irene_wikinha@hotmail.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Desigualdades, Desregulação e Riscos nas Sociedades Contemporâneas




Desigualdades, Desregulação e Riscos nas Sociedades Contemporâneas, José Madureira Pinto e Virgílio Borges Pereira (orgs.)
Esta obra resulta da reflexão que decorreu no Colóquio Científico Internacional, realizado em Setembro de 2006 na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e acolhe, entre outros contributos, um conjunto de aproximações à problemática das desigualdades sociais e da exclusão social, que, partindo de diferentes eixos de análise, procuram não só questionar alguns processos produtores e reprodutores desse fenómeno, mas também esboçar pistas que favoreçam uma intervenção sociologicamente informada na realidade.

O olhar que é lançado sobre as desigualdades sociais e processos de exclusão social ateve-se em cinco dimensões temáticas essenciais: as modalidades de representação democrática e de distribuição administrativa do poder; relações entre Estado e mercado; políticas educativas; requalificação urbana; a permeabilidade diferenciada face ao risco.Inserindo a sua análise na primeira dimensão acima enunciada, António Teixeira Fernandes defende que o modelo representativo forjado por Rousseau, segundo o qual a legitimidade democrática resulta unicamente da transferência do poder decisório dos eleitores para os eleitos – que o exercem em nome de uma vontade colectiva uniforme –, assume nos dias de hoje um cariz anacrónico. O sistema representativo “monista” afasta os cidadãos da vida democrática e impede-os de participarem activamente na tomada de decisões. Longe desses pólos, as subjectividades individuais e locais emergentes não encontram expressão no plano político. O autor critica o cariz centralizador do sistema político português e aponta o desenvolvimento desigual das regiões como uma manifestação desse mesmo facto:

“A diferenciação económica e social começa por ser, antes de mais, uma desigualdade de distribuição do poder político no interior da sociedade” (pp.44).

Segundo defende, a regionalização política (não apenas administrativa) poderia favorecer o acesso, por parte dos cidadãos, a centros de decisão intermédios (entre o nacional e o local), para os quais seriam transportada(o)s expectativas, necessidades e projectos associada(o)s a essa escala de intervenção. Num momento em que as subjectividades e ensejos tendem a fragmentar-se no interior das comunidades nacionais, a descentralização efectiva do poder político é considerado como um passo importante para a “democratização da democracia” – processo que pressupõe, simultaneamente, condições institucionais e disposicionais (populações informadas) que potenciem da participação.Tanto Jorge Sampaio como José Madureira Pinto questionam a actual relação entre Estado e mercado. O primeiro acredita que a globalização deverá conduzir o Estado a reponderar o seu papel no combate à pobreza, na medida em que o eventual recrudescimento desse fenómeno poderá ele próprio ter implicações bastante nefastas no funcionamento da economia. O Estado tem assumido uma função primordialmente reparadora no que às desigualdades sociais diz respeito. Ou seja, a intervenção tem-se caracterizado por suceder a jusante da produção das assimetrias e injustiças sociais, por meio da redistribuição dos recursos colectivos. Embora admita que a acção directa do Estado, enquanto agente económico-produtivo, possa ser reduzida, defende que as suas funções no plano da regulação económica e social devem ser aprofundadas no sentido de se garantirem níveis elevados de coesão social e de redução da pobreza. Adianta ainda que os riscos e incertezas do mundo globalizado reforçam o papel do Estado “na definição cientificamente fundamentada dos grandes objectivos estratégicos que podem e devem mobilizar as comunidades nacionais” (pp.78).Por seu lado, Madureira Pinto debruça-se sobre o “espírito de Tordesilhas” que norteia a ideologia política dominante nas sociedades ocidentais (que resulta de um compromisso entre a social-democracia e o neo-liberalismo). Esta grelha mental concebe o campo económico e o político como universos cujos princípios estruturantes são “mutuamente exclusivos”: a competitividade e a valorização do esforço e habilidades individuais encontram no mercado a sua esfera de desenvolvimento; a correcção das injustiças e desigualdades sociais fica a cargo do Estado. Esta concepção estanque dos dois campos legitima, segundo o autor, a autonomia do funcionamento economia e naturaliza os princípios neo-liberais. Madureira Pinto defende a hipótese de que o risco associado ao funcionamento do campo económico, e os problemas sociais que daí poderão advir, determinarão que o Estado venha a ser pressionado para intervir na reformulação do mesmo, nomeadamente na introdução de novos referenciais na actividade económica que enformem as prática de gestão e as estratégias empresariais de acordo com critérios de justiça, integração e qualidade no trabalho. No fundo, prevê a necessidade de redefinição da cultura económica e do modo de pensamento dos seus agentes, de acordo com valores e objectivos providencialistas.A necessidade da desregulação dos mercados e a apologia da infalibilidade da mão invisível é igualmente questionada por António Dornelas. Refere que a desregulamentação da economia e a redução da “factura social” têm sido entendidas por várias organizações (OCDE, por exemplo) como fundamentos do desenvolvimento económico e da competitividade. Contudo, contrapõe a esta ideia o facto de várias pesquisas realizadas nos últimos anos demonstrarem que elevadas taxas de emprego podem coabitar com baixos níveis de flexibilidade laboral. A regulação do mercado não é, por si, uma ameaça ao emprego e à competitividade. É argumentado que as políticas públicas de regulação do mercado e de coesão social na UE são bastante heterogéneas de país para país, dado que o autor procura comprovar através da ilustração de um conjunto de indicadores. Neste sentido, conclui que a reforma do modelo social europeu debate-se com três grandes desafios: a determinação dos “limites de variabilidade (da segurança e da regulação) que ainda tornam legítimo falar de flexisegurança”, os custos económicos que decorrem da fórmula encontrada e a adesão dos parceiros sociais a esta.Sandrine Garcia faz uma aproximação ao tema das desigualdades sociais por meio da problematização das políticas educativas em França. Começa por referir que a visão republicana da educação, guiada pelo “ideal da escola para todos”, procurou unificar o sistema de ensino e garantir a igualdade formal dos alunos perante a escola. Esta terá sido a política seguida até à década de oitenta do século passado. A evidência, empiricamente demonstrada por estudos iniciados cerca de vinte anos antes por Bourdieu e Passeron, de que as trajectórias escolares tendiam a reproduzir desigualdades estruturais exteriores à instituição, estimulou a redefinição da estratégia educativa francesa. Mais do que garantir o tratamento igual de todos os alunos, a política educativa preocupou-se sobretudo com a questão da equidade. Os recursos diversificados dos alunos implicariam que a instituição escolar se adequasse a necessidades diferenciadas. Foi neste contexto ideológico que nasceram as Zonas Educativas Prioritárias (ZEP), territórios marcados pela predominância de populações desfavorecidas, e com elas a política de autonomia das escolas. A equidade subentendeu a diferenciação do ensino, a sua adaptabilidade aos contextos locais e aos seus tipos de públicos. Por outro lado, a autonomização escolar daqui decorrente criou um verdadeiro mercado de ensino, no qual as escolas eram avaliadas de acordo com indicadores de sucesso dos alunos. Neste contexto, a criação das ZEP acentuou a reprodução das desigualdades sociais, não só porque as famílias mais favorecidas residentes nessas áreas procuraram inscrever os seus filhos em escolas que não pertencessem a esse tipo de círculo, mas também porque, nas escolas aí existentes, e com o intuito de aumentarem as classificações pelas quais eram avaliadas as instituições que dirigiam, os directores de escola encetaram estratégias de atracção dos bons alunos – maioritariamente filhos das classes médias –, agrupando-os em turmas de elite. A guetização escolar deu-se, simultaneamente, pela fuga das zonas ZEP dos alunos das classes favorecidas, ou pela sua permanência nessas escolas em turmas socialmente delimitadas.A autora chama também a atenção para os fundamentos sociais das directivas oficiais na área da educação. O insucesso é administrativamente explicado pelo facto das prescrições oficiais não serem aplicadas nos processos de ensino-aprendizagem. Importa, porém, segundo defende, relativizar as “categorias da acção pedagógica”, relacionando-as com as disposições e perfil social de crianças socialmente típicas.A quarta dimensão analítica tratada neste livro prende-se com a requalificação urbana. Virgílio Borges Pereira entende que a compreensão da requalificação urbana deve assentar na análise histórica da transferência do operariado dos centros das cidades para as periferias das mesmas (o autor reporta-se à realidade inglesa e francesa), e da progressiva demissão do Estado no que toca à intervenção nesses espaços. O autor problematiza ainda os processos de “mix social” muitas vezes associados a esse tipo de intervenção, considerando-os reducionistas, de difícil operacionalização e potencialmente estigmatizadores. Em jeito de balanço crítico do modo como os processos de mistura social das populações tem sido utilizados enquanto instrumento de requalificação urbana, Virgílio Borges Pereira levanta algumas questões:

“Como se efectua e gere o recrutamento dos habitantes nos diferentes contextos e, em particular, naqueles que são alvo de reabilitação? Como, quando, e quais as razões que motivam a expulsão dos habitantes? (…) onde existia diversidade social, saiu quem pôde ou saíram os pobres?” (pp.235).

Para Miguel Martínez, a requalificação urbana deve ser enformada pelo princípio da “equidade territorial”, isto é, deve ter por base um projecto integrado de intervenção, o qual terá de compreender uma distribuição justa dos recursos e visar a redução das desigualdades espaciais de um determinado contexto. Para além da obediência a este princípio, a requalificação urbana deve terá de basear-se na audição das opiniões, expectativas, projectos e resoluções das populações e grupos que gravitam nos espaços de intervenção. Neste âmbito, a adequação da linguagem técnica à das populações surge como vector decisivo para o diálogo entre as partes.A discussão dos factores sociais que influenciam o sucesso da reabilitação urbana está também presente no texto de António Firmino da Costa. No seu entender, e com base na experiência adquirida num trabalho prolongado desenvolvido em Alfama, a inclusão social em processos de requalificação urbana que sucedam em contextos semelhantes ao que analisou nesse bairro histórico, depende de dois factores essenciais: o modo como é reconfigurada a identidade cultural do espaço citadino; a promoção de alianças entre os actores envolvidos nesse processo. Deste modo, devem ser vertidos na requalificação de um determinado contexto atributos culturais locais e referenciais identitários que, construídos a partir do exterior das suas fronteiras, são eles próprios estruturantes da tela cultural local. Por outro lado, devem ser dinamizadas entre as relações entre as instituições envolvidas na requalificação urbana e os movimentos sociais interessados em tomar parte nesse processo, e estimuladas alianças entre “actores locais e cosmopolitas”. É ainda acrescentado que os processos de requalificação urbana, quando prolongados no tempo, são acompanhados por transformações das aspirações, estratégias e projectos de vida das populações que aí habitam. O curso da “tematização do bairro” é gerado pelos seus habitantes, mas esse processo é ele próprio operativo na forma como estes concebem o bairro e a sua relação com ele. Para Firmino da Costa, ao conceberem a população de forma estática, os técnicos caem num de dois erros: não valorizam a integração, e como concluem que não é viável, a prazo, a permanência da população local no bairro assumem que esta terá de ser afastada do seu espaço; querem integração, mas não se apercebem que as expectativas e interesses das populações locais são mutáveis.A abordagem de Maria Luísa Pedroso de Lima à problemática das desigualdades sociais e da exclusão social centra-se na análise da exposição desigual aos riscos de acordo com a condição social das populações e das amplitudes diferenciadas que assumem os impactos dos desastres segundo o nível de desenvolvimento dos países. Afirma-se que as pessoas que vivem próximas das fontes de poluição são normalmente pobres, são também estes que habitam mais frequentemente em zonas onde o risco ambiental é maior, que têm menos meios para “se protegerem contra a exposição a riscos”, que menos estão informadas acerca dos mesmos e cujo poder para influenciar decisões em matéria ambiental se afigura mais diminuto. A autora refere, também, que o nível de desenvolvimento dos países tem implicações decisivas no grau de permeabilidade das populações aos desastres de origem natural ou tecnológica: por exemplo, cada morte causada por um desastre natural na Europa corresponde a 128 mortes com a mesma origem em África.

Frederico Pincho Cantante

Sociedade e Conhecimento


Sociedade e Conhecimento - Portugal no Contexto Europeu, vol. II., António Firmino da Costa, Fernando Luís Machado e Patrícia Ávila (Orgs.)
Uma parte significativa da investigação realizada no CIES-ISCTE tem como foco as relações da sociedade contemporânea com o conhecimento, analisadas a partir de variados ângulos e a propósito de diversos temas concretos.

Este livro apresenta resultados de pesquisa recente e análises integradoras decorrentes de investigação sociológica sobre as estruturas sociais e educacionais, os padrões de literacia, o uso das novas tecnologias de informação e de comunicação (nomeadamente a internet), a cultura científica das populações, os estudantes do ensino superior, os profissionais de alta qualificação, as tendências na esfera económica e do trabalho, os novos serviços, as orientações sociais dos diversos segmentos da população. No conjunto, procura-se situar a sociedade portuguesa no contexto europeu e no quadro global da actualidade, seja através de exemplos ilustrativos, seja recorrendo a comparações internacionais ou procedendo a análises de âmbito directamente transnacional.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Desafios aos direitos humanos e à justiça global, 27 e 28 de Novembro‏



APRESENTAÇÃO
No âmbito da comemoração dos 30 anos do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a proposta deste colóquio internacional é promover uma reflexão sobre os direitos humanos e a justiça global. O principal enfoque desta reflexão são os desafios que se colocam ao paradigma liberal e ocidental dos direitos humanos e da justiça global, a partir das lutas colectivas pela igualdade e pelo reconhecimento da diferença, em escalas local, nacional e internacional. A relação Norte-Sul é também um eixo norteador do colóquio, priorizando-se o debate sobre o tema proposto nos contextos europeu, latino-americano, caribenho e africano.

INSCRIÇÕESwww.ces.uc.pt/direitoshumanoscoloquio/pages/inscricao.php



CTT abrem a sua rede à solidariedade

Combate à pobreza
Os CTT vão pôr a sua rede à disposição do combate à pobreza e à exclusão social. A partir de 1 de Dezembro próximo, os Correios de Portugal põem em marcha um projecto que, durante os próximos meses, permitirá a qualquer pessoa ajudar quem mais precisa de forma gratuita.

Este projecto é uma iniciativa dos CTT inscrita na sua política de responsabilidade social. Surgiu da constatação de que ninguém como os CTT tem capacidade para chegar a todas as localidades e a todos os habitantes do País.

Por isso, os Correios vão fazer um envio massivo de um folheto informativo por todas as casas do País. Esse folheto, que será acompanhado de um saco específico para o transporte dos donativos, informará a população sobre as instituições de solidariedade aderentes ao projecto e que tipo de bens necessitam.

Com esse esclarecimento em mente, bastará a qualquer pessoa deslocar-se a uma das quase 1000 Estações de Correio existentes de Norte a Sul do País com o seu donativo. Uma vez lá, ser-lhe-á fornecida gratuitamente uma caixa de transporte em cartão. O autor do donativo apenas terá de encher a caixa e escolher a instituição destinatária, entre as várias possíveis, sem precisar de indicar uma morada. Os Correios tratam do transporte e da entrega, de forma totalmente gratuita.

A lista de instituições de solidariedade social aderentes é uma lista aberta. Neste momento, os CTT estão em contacto com algumas dezenas de instituições, de carácter nacional e local. Está já confirmada a adesão de instituições como a Abraço, ACAPO, Acreditar, Ajuda de Berço, Ajuda de Mãe, Aldeia de Crianças SOS, Associação Portuguesa de Surdos, Casa do Caminho, Casa do Gaiato, Centro Helen Keller, Comunidade Vida e Paz, Cruz Vermelha Portuguesa, GIRA, FENACERCI, Liga Nacional Contra a Fome, Refúgio Aboim Ascensão e Associação Sol. Outras serão anunciadas nos próximos dias.

Os bens elegíveis para doação dependem das necessidades de cada instituição e das limitações logísticas e incluirão bens como roupa, calçado, agasalhos, artigos de higiene, brinquedos, produtos de limpeza, pequenos electrodomésticos ou de entretenimento, entre outros.

Para esta grande iniciativa de carácter nacional, os Correios vão disponibilizar não apenas os seus voluntários, de um universo de 16 mil trabalhadores, como a sua rede: quase 1000 Estações de Correios, 370 Centros de Distribuição Postal e 3702 veículos de transporte que, todos os dias, percorrem cerca de 240 mil quilómetros.

Este projecto dos CTT é complementado por uma iniciativa protagonizada por uma empresa detida a 100% pelos CTT, a PayShop, e que permite que qualquer cidadão faça donativos em dinheiro, a partir de um euro, em 4500 locais de todo o País: 3500 agentes PayShop e quase 1000 Estações de Correio.

É convicção dos CTT – Correios de Portugal que esta iniciativa permitirá democratizar a solidariedade e eliminar barreiras geográficas.

Manual de Sociologia do Crime


Sinopse
Por que é que determinados indivíduos cometem crimes e outros não? Por que é que alguns são classificados como criminosos e outros não? Por que é que os homens tendem a praticar mais o crime do que as mulheres? Quais podem ser as responsabilidades da sociedade perante o criminoso: punir, tratar ou reinserir? Como é que evoluiu a visão social sobre o crime, da Antiguidade aos dias de hoje? De que fontes de informação e técnicas de pesquisa dispõem os investigadores na área da abordagem sociológica do crime? Que teorias se desenvolveram no seio da Sociologia para explicar a ocorrência do crime e as codificações do criminoso?

Este livro apresenta algumas respostas possíveis a estas questões, deixando em aberto pistas de estudo e de análise do fenómeno do crime na vertente das relações sociais e institucionais.

Redigido numa linguagem acessível, é um manual de ensino e aprendizagem na área da Sociologia do Crime, seguindo as novas metodologias pedagógicas preconizadas pelo denominado Processo de Bolonha. Trta-se de um texto que pode interessar a estudantes e a docentes do ensino superior, de áreas diversas como a Sociologia, a Criminologia, o Direito, a Antropologia, a Psicologia Social, o Serviço Social, a Reinserção Social e a Animação Sócio-Cultural.

Pessimismo em retrato do País

Maria Filomena Mónica esteve ontem na Fnac do Chiado, em Lisboa, para apresentar o seu mais recente trabalho, ‘Nós, os Portugueses’, editado pela Quasi.

A compilação de crónicas espalhadas pela imprensa, agora em formato de livro, passa em revista a identidade do País, daqueles que o habitam e até da própria autora.

"A minha experiência pessoal é a base deste trabalho. É a partir dela que tento construir um quadro alargado de traços, positivos ou negativos – enfim, quase todos negativos mas isso é porque eu sou uma pessimista", disse ao CM, antes de se juntar ao cronista João Pereira Coutinho, na apresentação oficial.

"É um retrato subjectivo do que são os meus compatriotas", resume a autora de ‘Nós, os Portugueses’ antes de fazer uma revelação. "Nem vou muito em fados mas partilho com a canção nacional uma nostalgia característica, ou seja, tenho uma visão pessimista da vida", afirma.

Doutorada em Sociologia, com larga experiência em investigação, Maria Filomena Mónica explica a lucidez do método na origem dos artigos que dão corpo aos seus livros, e sobretudo a este: "A disciplina académica ensinou-me a olhar as sociedades, nomeadamente a minha, com a precisão de uma lente sobre um pormenor singular a fim de dar a conhecer uma característica nacional".

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

European Sociological Association

The European Sociological Association (ESA) aims to facilitate sociological research, teaching and communication on European issues, and to give sociology a voice in European affairs.

ESA is an academic association of sociologists and a non-profit Europe-wide association made up of over 700 members. It was established in 1992, following deliberations and consultations among sociologists from a diverse range of countries.

Europe is in the midst of massive changes, including the transformations in east and central Europe and the increasing integration of the European Union. Sociology has much to contribute to European level debates and developments. The ESA has an important role to play in organizing the European debate and setting the agenda.

http://www.europeansociology.org/